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PF acha contratos com coronel

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A Polícia Federal (PF) detalhou, em relatório de buscas e apreensões na Argeplan, empresa do coronel João Baptista Lima Filho – delatado por supostas propinas de R$ 1 milhão da JBS –, contratos de câmbio que totalizam US$ 1,2 milhão e € 1,4 milhão relacionados à AF Consult, empresa cujo contrato com a Eletronuclear é alvo da Lava Jato. Segundo delatores, contratos para obras nas usinas renderam propinas ao PMDB.

Endereços ligados a Lima foram vasculhados no âmbito da operação Patmos, em maio. Ele é acusado de receber R$ 1 milhão supostamente destinado ao presidente Michel Temer, segundo delatores da JBS. O coronel é amigo do presidente há mais de trinta anos.

A PF esmiuçou no relatório os documentos que encontrou na sede da empresa do coronel, localizada na Vila Madalena, zona oeste de São Paulo. Em uma pasta apreendida, os investigadores dizem ter encontrado “documentos relativos a operação de câmbio envolvendo as empresas AF Consult do Brasil, Banco Ourinvest S.S. e Dascam Corretora de Câmbio”. As informações são de O Tempo.

Já outro item encontrado pelos investigadores é a “Pasta Ourinvest”, com contratos para operações de derivativos com a empresa Ourinvest. A PF encontrou contratos de câmbio que, somados, atingem os valores de US$ 1,2 milhão e € 1,4 milhão.

Dos 8 contratos, seis são datados dos meses de março e abril. A soma dos valores chega aos R$ 881 mil. Os outros dois contratos são de setembro de 2017.

Entenda. A Argeplan, do coronel Lima, constitui o quadro societário da AF Consult, sediada em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. A empresa foi subcontratada pela finlandesa AF Consult Ltd, ao lado da Engevix, no âmbito de contrato de R$ 162 milhões, em 2010, com a Eletronuclear, para obras em Angra 3.

O termo é um dos que, segundo a força-tarefa da operação Lava Jato, teriam rendido propinas ao almirante Othon Luiz Pinheiro, ex-presidente da Eletronuclear condenado a 43 anos de prisão.

Angra 3 teria envolvido o pagamento de propinas de 1% nos contratos ao PMDB, partido de Temer, segundo relataram à força-tarefa delatores das empreiteiras UTC, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa.

Um trecho da denúncia, oferecida em 2015 contra os executivos e o ex-presidente da Eletronuclear, mostra que um funcionário da Engevix encaminhou “um e-mail ao denunciado José Antunes dizendo que Othon Luiz iria convocar as pessoas de Roberto e Lima para fechar o assunto do aditivo, e que José Antunes também seria convidado para reunião”. Apesar da menção, a Lava Jato não especifica quem seria o “Lima” da AF Consult.

Na casa do coronel Lima, ainda foi encontrada cópia encadernada do processo que tem como réu Othon Luiz. Também foram encontrados documentos de contabilidade da campanha de Michel Temer à Câmara, em 2002.

“Verificou-se na posse da empresa vistoriada vários documentos que, aparentemente, não seriam de interesse da empresa Argeplan Arquitetura & Engenharia, como é possível verificar diante da posse de diversas informações a respeito de Michel Temer”, diz o relatório da PF.

Procurada, a defesa de João Baptista Lima informou que não iria se manifestar. Já a assessoria de Temer afirmou que, “como Lima coordenou várias campanhas do presidente em São Paulo, era natural que ele tivesse em sua posse esses papéis”.

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