Orientado por Cunha, ex-vice da Caixa ‘convencia’ conselheiros do FI-FGTS

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Os outros três réus no processo – Cunha, o ex-presidente da Câmara Henrique Alves, e Lúcio Funaro, apontado como operador do PMDB em esquemas de corrupção

Nomear uma pessoa com perfil técnico para um cargo público nem sempre é a garantia de ser uma boa escolha. Em depoimento prestado nesta quinta-feira, o ex-vice-presidente da Câmara Fábio Cleto deu mostras disso. Ele já tinha firmado acordo de delação premiada na qual disse que atuava sob orientação do grupo do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Agora, ele lembrou que, por ter experiência no mercado financeiro, seu voto servia como baliza para outros conselheiros do Fundo de Investimentos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS), administrado pela Caixa. Ao todo, o Conselho era composto por 11 pessoas, entre elas Cleto.

— Tem casos em que eu conseguia convencer os outros conselheiros. Tinha casos em que eu não conseguia. Meu voto não era voto de Minerva e não tinha peso maior do que os outros. Mas eu era mais escutado, mais ouvido por ser o representante da Caixa, e por ter 25 anos de experiência no mercado financeiro, experiência em análise de balanço, experiência no mercado internacional, uma vivência no mercado privado em que eu conseguia dar argumentos favoráveis ou contrários de maneira sólida. E boa parte dos conselheiros não tinha o mesmo preparo. Então ouviam, entendiam os argumentos que eu dava, às vezes iam a favor ou contra — disse Cleto. As informações são de André de Souza – O Globo.

Ele também destacou os conhecimentos técnicos de Cunha, ao citar episódio em que o ex-presidente da Câmara teria apontado que uma operação na Caixa seria na verdade para beneficiar o PT. Cunha é formado em economia.

— Exímio conhecedor de balanços de empresa, de economia. O diagnóstico que ele fez de imediato era de que era uma operação extremamente lesiva e tinha como objetivo claramente fomentar propina para os cofres do PT – disse Cleto.

Ele ainda não terminou de prestar depoimento, o qual está ocorrendo por meio de videoconferência. O juiz federal Vallisney de Souza Oliveira está em Brasília, e Cleto em Campinas (SP). Nesta quinta-feira também será ouvido o empresário Alexandre Margotto. Os outros três réus no processo – Cunha, o ex-presidente da Câmara Henrique Alves, e Lúcio Funaro, apontado como operador do PMDB em esquemas de corrupção – vão falar apenas na sexta-feira. Cunha e Funaro, os quais estão presos desde o ano passado, acompanham os depoimentos desta quinta presencialmente na sala de audiências da 10ª Vara Federal de Brasília.

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