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Covid-19: Pela primeira vez, órgão do Ministério da Saúde se posiciona contra uso de cloroquina, ivermectina e azitromicina em hospitais

O presidente Jair Bolsonaro segura uma caixa de cloroquina no Palácio da Alvorada , em julho de 2020 Foto: Adriano Machado/Reuters

Um grupo técnico ligado o Ministério da Saúde desaprova, em novo parecer, o uso de medicamentos com ineficácia comprovada contra Covid-19, como cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina e azitromicina, em ambientes hospitalares. É a primeira vez que há um posicionamento contrário de um órgão ligado ao Ministério da Saúde em relação ao uso dessas drogas.

Apesar disso, a pasta não traz orientações contra o “kit Covid”, defendido pelo presidente Jair Bolsonaro e apoiadores como tratamento precoce mesmo sem evidências científicas. A recomendação ao uso dos medicamentos é um dos alvos da CPI da Covid, no Senado. Em depoimento, o ministro Marcelo Queiroga afirmou que aguardava o parecer para decidir a orientação da pasta. O texto será analisado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que abrirá consulta pública por 10 dias.

Segundo o documento, coordenado pelo pneumologista e professor da Universidade de São Paulo (USP) Carlos Carvalho, não há evidências de que essas medicações, isoladas ou junto a outros remédios, beneficiem o tratamento da Covid-19. Quanto à ivermectina, ainda não há estudos em ambientes hospitalares, só em laboratório. Além deles, o grupo também não recomenda o uso de lopinavir ritonavir (coquetel que já foi utilizado contra a Aids), e do anti-inflamatório colchicina, administrado no tratamento da gota.

O uso de plasma de pessoas que contraíram a doença e desenvolveram anticorpos também não é indicado, assim como a associação de anticorpos monoclonais casirivimabe e imdevimabe, aprovada para uso emergencial e temporário pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por falta de evidências que sustentem o tratamento. Chamado de “Diretrizes Brasileiras para Tratamento Hospitalar do Paciente com Covid-19”, o parecer foi divulgado pela “Folha de S.Paulo” e obtido pelo GLOBO.

“Alguns medicamentos foram testados e não mostraram benefícios clínicos na população de pacientes hospitalizados, não devendo ser utilizados, sendo eles: hidroxicloroquina ou cloroquina, azitromicina, lopinavir/ritonavir, colchicina e plasma convalescente. A ivermectina e a associação de casirivimabe + imdevimabe não possuem evidência que justifiquem seu uso em pacientes hospitalizados, não devendo ser utilizados nessa população”, diz o documento.

Outros remédios, como o corticoesteroide dexametasona, além de anticoagulantes, são recomendados em casos específicos e dentro do ambiente hospitalar. Dessa forma, o comitê avalia que há poucas opções de tratamentos famacológicos contra a Covid-19.

O Globo

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