Em jantar, senadores do PMDB divergem sobre reforma trabalhista

Crítico das reformas do governo Michel Temer, o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), diminuiu o tom e atuou como bombeiro no jantar oferecido pela senadora Marta Suplicy (PMDB-SP) aos colegas de bancada na noite de terça-feira (9).

Segundo relatos de senadores que participaram da reunião, o clima ficou pesado no início do jantar, quando Roberto Requião (PR) começou a disparar críticas à reforma trabalhista.

Senadores relataram à Folha que Requião afirmou que, com a reforma, o governo fazia o jogo do mercado, ignorando os trabalhadores.

Disse ainda, de acordo com os relatos, que já havia empregado 5.000 trabalhadores e, por isso, sabia do que estava falando.

Peemedebistas mais ligados ao governo, como o senador Garibaldi Alves Filho (RN), contestaram Requião, afirmando que, apesar de não serem empreendedores, tinham competência para tratar do assunto.

Foi então que chegou Renan, acompanhado do senador Jader Barbalho (PA).

Segundo os participantes, Renan adotou um discurso mais ameno do que aquele de mais cedo, em reunião da bancada no Palácio do Planalto, e afirmou que o presidente Michel Temer havia acenado com a disposição de apresentar uma medida provisória que contemple as propostas de modificação do texto que forem feitas pelos senadores, como a Folha publicou.

A proposta de edição de uma MP é uma tentativa de neutralizar as críticas de senadores da base aliada, como Renan, que afirmam que a reforma trabalhista coloca em risco direitos estabelecidos pela legislação atual.

Temer apontou que uma medida provisória poderia incluir proteções aos trabalhadores.

Numa mesma MP, o governo deve fazer ao mesmo tempo alterações tanto no projeto da reforma trabalhista quanto na terceirização, essa última já sancionada por Temer no fim de março.

A ideia de editar uma MP começou a ser discutida no fim de semana, em reunião de Temer com o presidente do Senado, Eunício Oliveira (CE), que passou boa parte do jantar apenas ouvindo os colegas.

Senadores mais próximos ao governo e o próprio Palácio avaliam a nova conduta de Renan como mero jogo de cena.

O presidente já não conta com a possibilidade de reaproximação com o líder peemedebista, mas a intenção é manter uma distância segura em relação ao senador e evitar que seu discurso de oposição às reformas se transforme na opinião da bancada.

Durante o jantar, em meio às críticas feitas por Requião, tocou-se no assunto da criação de uma lista da bancada para demover Renan da liderança do partido.

Renan apaziguou a discussão dizendo que o episódio foi importante para que haja um entendimento de que o PMDB possui uma bancada plural. A maior parte dos 22 senadores compareceu ao encontro, com exceção de nomes como Edison Lobão (MA) e Eduardo Braga (AM).

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR) enfatizou a pressa em aprovar a proposta, mas não foi taxativo quanto à data em que o processo será concluído no Senado.

CRISE

Os senadores também discutiram a crise entre o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Participantes do jantar relataram que os senadores, inclusive Renan, consideraram grave o entrevero entre os dois e avaliaram que a falta de sintonia entre Judiciário e Legislativo agora era especificamente entre investigadores e Judiciário.

Outro ponto colocado em pauta foi a viabilidade eleitoral do PMDB nas próximas eleições, o que dividiu opiniões, segundo relatos.

Alguns senadores demonstraram preocupação com a possibilidade de fuga de nomes com a janela para troca de partidos que se abre antes da disputa.

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