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Witzel responsabiliza Bolsonaro por mortes e diz que governo atuou contra governadores

Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia (CPIPANDEMIA) realiza oitiva do o ex-governador do Rio de Janeiro. Ele deve ser questionado sobre denúncias de corrupção na área da saúde do estado, inclusive com recursos federais destinados ao combate à covid-19.   Mesa:  ex-governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel;  presidente da CPIPANDEMIA, senador Omar Aziz (PSD-AM);  relator da CPIPANDEMIA, senador Renan Calheiros (MDB-AL).   Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Protegido por um habeas corpus, o ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel compareceu à CPI da Pandemia nesta quarta-feira (16), mas sua presença no colegiado foi interrompida depois de cerca de 4 horas e 30 minutos antes que todos os senadores presentes pudessem participar da audiência.

Witzel respondeu as perguntas do relator, senador Renan Calheiros, e de três senadores de oposição ao governo federal — Humberto Costa (PT-PE), Eliziane Gama (Cidadania-MA) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Porém, depois de ouvir os questionamentos do senador Jorginho Mello (PL-SC) e o início da intervenção do senador Eduardo Girão (Podemos-CE), ambos da base de apoio ao governo federal, Witzel lançou mão da decisão do STF que lhe permitia se ausentar ou não responder perguntas e pediu para se retirar da reunião.

Enquanto durou o depoimento, o ex-governador insinuou que o presidente Jair Bolsonaro seria o responsável por grande parte das mais de 450 mil mortes por covid-19. O governador cassado disse também que o governo federal criou uma narrativa para fragilizar os governadores por terem tomado medidas restritivas.

— Como é que você tem um país em que o presidente da República não dialoga com um governador de estado? E o presidente deixou os governadores à mercê da desgraça que viria. O único responsável pelos 450 mil mortos que estão aí tem nome, endereço e tem que ser responsabilizado aqui, no Tribunal Penal Internacional, pelos fatos que praticou.

Witzel acusou o governo federal de agir de caso pensado para deixar governos estaduais em situação de vulnerabilidade, sem condições de comprar insumos e respiradores. Segundo ele, os governadores “clamavam” que o governo federal fizesse as aquisições, já que outros países estavam se abastecendo no mercado internacional, pagando antecipadamente, deixando os estados sem condições de adquirir o material necessário.

— Os governos estaduais ficariam em situação de fragilidade, porque não teriam condições de comprar os insumos, respiradores e, inclusive, atender os seus pacientes no Sistema Único de Saúde, que, embora seja um excelente sistema para um país como o nosso, tem dificuldades. Como é que eu vou requisitar ao governo da China receber respirador? Isso é uma negociação internacional, e não foi feita — assinalou Witzel.

Ele comentou ainda a dificuldade de adotar medidas restritivas de circulação de pessoas, como em aeroportos, enquanto a Anvisa, sem coordenação do governo federal, não tomava iniciativas semelhantes. Paralelamente, disse o ex-governador, ele era chamado de ditador e tirano por estar tentando combater a pandemia. Para Witzel, o intuito do Executivo federal, disse o ex-governador fluminense, foi se livrar das consequências econômicas da pandemia.

— A narrativa que foi criada foi a narrativa de que “os governadores vão destruir os empregos”, porque sabia o senhor presidente da República que o isolamento social traria consequências graves à economia.

Segundo Witzel, os governadores tentaram se reunir diversas vezes com o presidente Jair Bolsonaro para planejar uma ação conjunta durante a pandemia de covid-19, mas ficaram desamparados. Ele afirmou que o governo federal politizou a pandemia.

— Os governadores, prefeitos de grandes capitais, prefeitos de pequenas cidades, ficaram totalmente desamparados do apoio do governo federal. Isso é uma realidade inequívoca, que está documentada em várias cartas que nós encaminhamos ao presidente da República. Nas poucas reuniões (salvo engano foram duas reuniões que nós tivemos com o presidente), foram reuniões em que o que se percebeu foi a politização da pandemia, o governador Doria foi frontalmente atacado — apontou.

Para o senador Humberto Costa (PT-PE), o governo federal e o presidente da República são os responsáveis pela tragédia vivida pelo país.

 — A gestão que esse governo deu teve o objetivo claro de descompromisso com a saúde da população — apontou.

Em resposta a Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Witzel criticou parlamentares ligados a Jair Bolsonaro que invadiram hospitais de campanha e comandaram carreatas e outras ações contra as medidas restritivas decretadas pelo governo do estado para reduzir a propagação da doença. Sobre os mais de 600 leitos fechados em hospitais federais no estado do Rio de Janeiro, ele relatou que pediu ao governo federal que cedesse a administração dos hospitais, com as respectivas verbas, mas não foi atendido.

— Não fui atendido e durante a pandemia também não fui atendido — disse Witzel, ao afirmar que a medida teria garantido mais leitos durante a crise sanitária e seria mais econômica do que construir hospitais de campanha.

Com base no habeas corpus, Witzel pediu para se retirar após sua declaração inicial e depois de responder o relator Renan Calheiros (MDB-AL) e a alguns dos senadores inscritos. Durante questionamentos de Eduardo Girão (Podemos-CE) sobre investigações de superfaturamento enquanto Witzel foi governador do Rio de Janeiro, o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), comunicou o encerramento do depoimento a pedido do depoente.

O senador Jorginho Mello (PL-SC) criticou a retirada de Witzel:

— Não contribuiu em nada — apontou.

Fonte: Agência Senado

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