TCU rejeita convite de Temer para jantar de Natal

BRASÍLIA, DF, BRASIL, 09-06-2010, 11h20: Ministro do Tribunalk de Contas da União, Raimundo Carreiro durante a sessão para analisar as contas de 2009 do governo Lula, em Brasília (DF). (Foto: Alan Marques/Folhapress, PODER)

Aberta a temporada de festas de fim de ano, o presidente Michel Temer chamou autoridades do TCU (Tribunal de Contas da União) para um jantar natalino. O que seria, em outro contexto, uma deferência do chefe da nação acabou em constrangimento.

Ministros da corte rejeitaram o convite alegando desconforto em celebrar com um mandatário investigado e em situação de crise política.

O convite foi feito ao presidente do tribunal, Raimundo Carreiro (Foto). Temer disse que estava devendo um encontro aos integrantes da corte que fiscaliza as contas públicas e pediu que o ministro levasse aos colegas o convite.

Na última quarta (22), o presidente do TCU Raimundo Carreiro apresentou a proposta aos colegas durante sessão reservada. O plenário, que raramente diverge, rachou. Três ministros pediram a palavra para manifestar contrariedade. Outros quatro, incluindo Carreiro, não viram problema em jantar com o presidente. Dois se abstiveram de opinar. As informações são de Fábio Fabrini, Folha de São Paulo.

Um dos presentes disse considerar inapropriado comemorar com Temer por causa das acusações de desvio de recursos que pesam contra ele. Afinal, o tribunal também investiga esse tipo de delito. Outro apontou não ver problema numa relação institucional entre o TCU e o Planalto, mas ponderou que, com a aguda crise no país, não há clima para um evento festivo.

A Folha confirmou os relatos com quatro dos presentes à sessão, que pediram para não ser identificados. Por fim, diante da controvérsia, o TCU não aprovou a proposta. Como se tratava de um convite ao tribunal, caiu porque não houve unanimidade, explicou um dos ministros.

Houve quem defendesse a presença no jantar, como Augusto Nardes, em nome do bom relacionamento entre as instituições. Também favorável, Carreiro disse à Folha que não foi, propriamente, uma rejeição. “Alguns tinham compromissos inadiáveis. Vamos acertar outra data.”

Temer tem cortejado o TCU por causa da necessidade de aval à capitalização da Caixa.

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