PSL já trabalha para se tornar a maior bancada da Câmara

O plenário da Câmara dos Deputados Foto: Jorge William / Agência O Globo

Acreditando na vitória de Jair Bolsonaro , o PSL trabalha para tentar virar a maior bancada da Câmara antes mesmo da posse dos novos congressistas, no dia 1º de fevereiro do ano que vem.

A estratégia da legenda, que elegeu 52 deputados, é atrair parlamentares eleitos por partidos que não alcançaram a cláusula de barreira e ultrapassar o PT , que saiu das urnas com 56 cadeiras.

A busca pela maior bancada visa também a disputa pela presidência da Câmara. Quem ocupa tal posto pode apelar à tradição para buscar o cargo, mas precisará de qualquer forma conquistá-lo pelo voto.

— Ainda não é possível estimar quantos filiados teremos no PSL, mas as articulações com os deputados eleitos estão acontecendo agora. Temos que ver quais partidos vão de fato cair com a cláusula de barreira. Oitenta deputados seria um número muito otimista — afirmou o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Eduardo Bresciani e Natália Portinari – O Globo

Dos 513 novos deputados, 32 estão autorizados a trocar de partido por terem sido eleitos por nove legendas que não atingiram a cláusula de barreira. A aposta de apoiadores de Bolsonaro é que a atração poderia chegar a até dez desses parlamentares. As abordagens ainda são tímidas, para evitar o vazamento das negociações. Um deputado eleito pelo PSL disse, em privado, que a vitória de Bolsonaro trará “naturalmente” esses parlamentares para o “partido do governo”.

O primeiro movimento de migração já foi anunciado. Bia Kicis, eleita pelo PRP do Distrito Federal, participou na semana passada de ato de Bolsonaro com a bancada eleita do PSL. Ela destacou que só não aderiu antes ao partido do capitão da reserva porque houve um problema com a direção regional da legenda no DF. O problema já foi superado e a deputada eleita deve, inclusive, assumir o comando regional do PSL.

Entre os deputados que estão “livres” para a infidelidade, há alguns que já apoiam Bolsonaro desde o primeiro turno, casos de Pastor Eurico (Patriota-PE), Fernando Rodolfo (PHS-PE) e Pastor Gil (PMN-MA). Os dirigentes do PSL, porém, são cautelosos e evitam revelar os nomes com os quais já teriam sido iniciadas as conversas.

O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), coordenador de campanha de Bolsonaro, anunciou na noite de ontem que a base do governo contará também com o apoio de ao menos oito parlamentares eleitos do Podemos, partido que lançou o senador Alvaro Dias (PR) à Presidência. Nos bastidores, a expectativa é que, agregando o apoio de pesselistas e aliados, seria possível lançar um candidato governista à presidência da Câmara dos Deputados, competindo com Rodrigo Maia (DEM-RJ), que deve tentar a reeleição ao posto pelo centrão.

O PSL não é o único partido que busca atrair deputados eleitos por siglas nanicas. Partidos do centrão fazem movimentação na mesma direção. Um dirigente do PR, por exemplo, acredita que a legenda possa conseguir saltar dos 33 deputados eleitos para 40. PP e PSD também já buscaram contatos para inflar suas bancadas.

Há movimentos semelhantes também pela esquerda, especialmente porque o PCdoB, que tem nove deputados, foi um dos partidos que não superou a cláusula. O PT resiste a fazer uma incorporação total da legenda que é sua aliada histórica, mas já sinaliza com a possibilidade de filiar alguns dos comunistas. O PSB também começou a procurar deputados do PCdoB com os quais julga ter mais identidade.

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