Por apoio, Temer nomeia réu para cuidar de orçamento de R$ 80 milhões

Temer Raquel Dodge

Em busca de agradar os parlamentares do centrão e garantir apoio do grupo político para derrubar a denúncia contra si por obstrução de Justiça e organização criminosa, o presidente Michel Temer deu aval para a nomeação de um assessor parlamentar que é réu para ocupar a diretoria da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). Walterson da Costa Ibituruna responde a processo na Justiça Federal que trata dos crimes de concussão, corrupção passiva e corrupção ativa. O novo diretor cuidará, justamente, do orçamento do órgão, estimado em R$ 80 milhões anuais.

O processo, aberto em 2003 e agora na fase de alegações finais, cita Ibituruna quando ele era assessor parlamentar da então deputada Almerinda de Carvalho, do PMDB do Rio de Janeiro, uma das denunciadas pela Procuradoria Geral da República (PGR) na Máfia dos Sanguessugas. O processo a que ele responde fala de supostas irregularidades envolvendo a apresentação de emendas parlamentares da deputada.

Ibituruna assessorou Almerinda de 2000 a 2005 e cuidava justamente da elaboração e do acompanhamento técnico das emendas parlamentares da deputada, mas negou qualquer participação em ilícitos imputados à peemedebista. As informações são de O Tempo.
Ao jornal “O Globo”, o novo diretor de planejamento da ABDI, que faz parte da estrutura do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), disse estar “tranquilo” em relação ao processo no qual é réu. Ele afirmou que apenas acompanhava de forma técnica a apresentação das emendas e que não tinha ingerência sobre o assunto.

“Me envolveram nesse processo, mas eu realmente só acompanhava a parte técnica do processo das emendas. Estou tranquilo porque sei que nunca tive ingerência nenhuma”, disse, acrescentando nem saber direito os detalhes do processo: “Para falar a verdade, eu nem sei o que é, se é corrupção passiva ou ativa. É uma coisa tão banal, uma coisa que não tem expressão nem relevância”, completou.

Nomeado na última quarta-feira – mas ainda sem data para tomar posse –, Walterson Ibituruna vai substituir um aliado do deputado Waldir Maranhão (Avante-MA), ex-vice-presidente da Câmara e que ficou conhecido por, em uma canetada, tentar anular o processo de impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff. A indicação foi um pedido do líder do governo, André Moura (PSC-SE), e de outros deputados do PSC.

A Casa Civil, responsável pela pesquisa de antecedentes criminais dos indicados, afirmou que o fato de Ibituruna responder a processo não impede a nomeação e que, caso ele seja condenado, será tirado do cargo.

O nome de Walterson Ibituruna é visto com ressalvas por técnicos do ministério. A principal insatisfação é pelo fato de o indicado não ter perfil técnico e não possuir, como diz o decreto de criação da Agência, “experiência comprovada de, no mínimo, dois anos em gestão de órgãos públicos ou de entidades públicas ou privadas”.

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