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Ministério Público da Espanha pede prisão de líder catalão

Puigdemont faz pronunciamento na sede do governo catalão.  Foto: Garcia/Generalitat de Catalunya/Handout via Reuters

O Ministério Público da Espanha pediu nessa quinta-feira, 2, a prisão do governador deposto da Catalunha, Carles Puigdemont, e de oito membros do seu extinto gabinete por crimes de rebelião e por desvio de verbas públicas. Todos são considerados membros ativos do movimento independentista, que realizou o plebiscito não-autorizado de 1º de outubro e participou da declaração de independência unilateral na última sexta-feira. Se forem condenados, os membros serão passíveis de até 30 anos de prisão.

A decisão da procuradoria foi informada na tarde de hoje, horário local, após uma sequência de interrogatórios realizados com ex-membros do governo. Puigdemont continua refugiado em Bruxelas, onde está desde o final de semana, não compareceu à audiência do MP e não prestará depoimento à Alta Corte de Justiça da Espanha, em Madri, onde 14 membros de seu governo não esperados até amanhã. Além do líder independentista, quatro outros já anunciaram que não comparecerão. As informações são de O Estado de São Paulo.

Na denúncia apresentada pelo MP as prisões de Puigdemont e dos secretários Antoni Comín, Meritxell Serret, Lluís Puig e Clara Ponsatí, todos membros do gabinete depostos de seus cargos pela intervenção do primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy. “O denunciado Carles Puigdemont Casamajo manifestou publicamente sua intenção de não comparecer e solicitou, como também o fizeram Antonio Comín e Meritxell Serret Aleu, fazer declaração por videoconferência, sem oferecer dado algum sobre seu paradeiro”, argumentaram os procuradores. “Solicita-se assim ao juizado que ordene a busca e captura e a detenção em âmbito nacional e internacional.”

Tão logo a decisão foi anunciada, o MP Federal da Bélgica respondeu à iniciativa afirmando que tão logo seja notificado cumprirá a ordem europeia de detenção contra Puigdemont. Na segunda-feira, em sua primeira manifestação após ter deixado a Catalunha, o ex-governador condicionou seu regresso à Espanha a “garantias”, que segundo ele não obteve. Seu advogado belga, Paul Bekaer, célebre na Espanha por ter defendido membros do grupo terrorista independentista País Basco e Liberdade (ETA), chegou a oferecer um depoimento por teleconferência, mas argumentou que não haveria « clima político » para o retorno do líder secessionista ao país.

Se for detido, Puigdemont não poderá ser candidato de seu partido às eleições regionais de 21 de dezembro, convocadas por antecipação por Rajoy.

Além de Puigdemont e de seu gabinete, a Justiça da Espanha ampliou sua ofensiva envolvendo também a presidente do Parlamento, Carme Forcadell, e cinco deputados membros da mesa diretora do Legislativo. A agressividade dos procuradores contra os líderes do movimento independentista provocou uma reação imediata em Barcelona. No final da manhã, milhares de pessoas se reuniram na Praça Sant Jaume, em frente ao Parlamento e à sede do Executivo, para protestar contra a Justiça da Espanha, que não consideram legítima para julgar os líderes da “República Catalã”.

“Isso não é justiça, é uma injustiça total, e por isso estou aqui. Não são juízes de direito, mas juízes políticos . Temos esperança de que ao final a Europa se dará conta do problema e intervirá no problema.”, afirmou o aposentado Joan S., 70 anos, que portava uma bandeira “estrelada”, símbolo do movimento secessionista. Sua luta é para que, com uma eventual vitória em 21 de dezembro, os independentistas consigam negociar a realização de um plebiscito legal sobre a separação. “Neste momento há outros 10 presos políticos na Catalunha. Isso não existe em nenhum outro país da Europa, salvo na Espanha. “

Ao mesmo tempo em que a pequena multidão se concentrava no centro de Barcelona, outro grupo de militantes próximos da associação Assembleia Nacional Catalã (ANC), reuniu-se no aeroporto da capital para receber seus membros que consideram “perseguidos pela Justiça”.

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