Maia diz que silêncio de Temer aprofunda crise de segurança

O deputado ressaltou que “o silêncio do Governo (Federal) vai aprofundar muito a crise na área de segurança no Rio”.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que as declarações do ministro da Justiça, Torquato Jardim, de que há conexão entre o comando da polícia militar e o crime no Rio pode ter “jogado fora” todo o trabalho da força-tarefa entre o governo federal e estadual que estava sendo montada para atuar no estado. Prestes a embarcar para Pisa, na Itália, Maia afirmou ao GLOBO que o ministro acusa sem provas, e com isso está possivelmente alertando os bandidos de que são alvo de uma investigação.

— Acho que ele pode ter atrapalhado a força tarefa, porque tudo o que ele falou estaria sendo investigado, tem um trabalho que não é só do Ministério da Justiça e ele pode ter jogado tudo fora. Se há informação de que o governador não manda mais, que o secretário não manda mais, e que os bandidos estão comandando os batalhões, é preciso tomar uma providência. Ou o governo não sabe o que está falando, ou vai ter que intervir — disse Maia, apontando, no entanto, que mesmo que a solução fosse uma intervenção federal no estado, o governo Michel Temer não tem, neste momento, condições fiscais ou políticas para tanto: As informações são de O Globo.

— Eu quero saber quais os próximos passos do governo em relação ao Rio. Eu não acho que o governo federal tenha as condições de fazer uma intervenção no Rio hoje. Para fazer intervenção num outro ente da federação na situação fiscal que o governo está não é simples, isso pode parar o Brasil. Nem as condições políticas — afirmou.

O deputado, no entanto, ressaltou que “o silêncio do Governo (Federal) vai aprofundar muito a crise na área de segurança no Rio”. Ele disse ainda que espera um posicionamento do presidente Michel Temer sobre as declarações do ministro da Justiça para propor, além de uma reunião na comissão de segurança, uma comissão geral no plenário da Câmara. A data para debater o assunto na Casa, no entanto, só deve ser definida após um pronunciamento do governo.

– As declarações do ministro são fortes. Deixaram todos perplexos. Antecipar informações pode ter atrapalhado o início do trabalho da força-tarefa organizado com a PGR (Procuradoria-Geral da República). Pode ter jogado tudo fora. Ele não deveria ter atacado sem provas, principalmente ocupando o Ministério da Justiça. Esperamos todos uma posição do Governo, pois este trabalho é dividido entre (os ministérios da) Justiça, Defesa e o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) – disse.

O presidente da Câmara espera que o trabalho conjunto esclareça as acusações feitas por Torquato, além de “garantir um futuro melhor aos cariocas e fluminenses”. Ele disse que, como carioca, não poderia calar diante das afirmações do comandante da área de segurança pública do governo federal.

— O governo precisa esclarecer o que o ministro quis dizer. Se tem as provas, é preciso que se avance logo, o que a gente quer é solução. Se o que ele fala que as operações foram vazadas antecipadamente para os bandidos porque a gente ainda não conseguiu chegar aos bandidos. Quem são os políticos envolvidos com os bandidos? Se ainda não foram identificados, agora estão avisados — disse, complementando:

— A gente que vive no rio, que tem família vivendo no Rio, a gente sabe o que o carioca está passando. Só uma boa entrevista mostrando o caos que o Rio está passando não vai resolver o problema. A gente precisa de atos concretos. Ato concreto seria desbaratar esse esquema que segundo ele é uma articulação entre políticos polícia e bandido. Se ele estiver falando a verdade, a situação é muito mais grave e de solução muito mais complexa do que a gente imaginava.

Mais cedo, Maia disse ao blog da Andréia Sadi, do G1, que defende “uma intervenção na área da segurança pública do Rio”, caso o Governo Federal não apresente nenhuma posição a respeito das declarações do ministro:

“Se ficar do jeito que está, só com as informações que ele (Torquato) deu, sem nenhuma outra posição, só cabe um caminho, que eu nunca defendi e não defendo, seria uma intervenção na área da segurança pública do Rio”, afirmou à reportagem.

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