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Levantamento mostra tucanos rachados sobre saída do governo

BRASILIA, DF, BRASIL, 30-05-2017, 10h00: Reunião da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE) que se destina a discussão da Reforma Trabalhista. O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) preside a sessão e o relator da reforma é o senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)

Principal aliado do governo federal, PSDB chega rachado nesta segunda-feira (12) a uma reunião em que pode decidir manter apoio a Michel Temer ou desembarcar da administração, o que representaria um baque político fatal para o peemedebista, segundo informações da Folha de São Paulo.

A Folha procurou os 56 deputados federais e senadores da legenda. Dos 49 parlamentares que responderam, 19 declararam apoio ao movimento de rompimento com o Palácio do Planalto, 19 querem permanecer no governo –ao menos por enquanto– e 11 se declararam indecisos ou não quiseram opinar.

O PSDB deve reunir em Brasília, nesta segunda, toda a sua direção, congressistas, governadores, prefeitos de capitais e dirigentes regionais para bater o martelo sobre o apoio a Temer.

O presidente do partido, senador Tasso Jereissati (CE), que evitava se posicionar sobre o tema, sinalizou pela primeira vez esta semana um movimento de desembarque, ao dizer que a sigla, que tem quatro ministérios, não precisa de cargos para apoiar as reformas econômicas apresentadas por Temer.

Enxergando uma tendência de rompimento, o Palácio do Planalto contra-atacou. Temer convocou os ministros tucanos para tentar enquadrar a cúpula da sigla e, ao longo da semana, recebeu pessoalmente 18 dos 46 deputados do PSDB.

O líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), se reuniu com Tasso para levar o recado: “Se o PSDB deixar hoje a base, vai ficar muito difícil de o PMDB apoiá-los nas eleições 2018. Política é feita de reciprocidade”, disse, pouco antes do encontro.

O PSDB é o segundo maior partido do Congresso e o maior aliado do PMDB de Temer, com 46 deputados federais e 10 senadores. Os votos tucanos são essenciais para barrar a provável denúncia da Procuradoria-Geral da República contra Temer.

A divisão das bancadas do partido revela que os políticos mais antigos adotam um tom cauteloso e apresentam uma inclinação maior pela manutenção do apoio. A ala jovem é majoritariamente a favor do desembarque.

O grupo do presidente licenciado do partido, Aécio Neves (MG), está na linha de frente pela tentativa de evitar o rompimento. Na avaliação do partido –assim como de auxiliares do presidente da República–, se o PSDB abandonar o governo, o PMDB de Temer, que é o maior partido do Congresso, vai trabalhar pela cassação do tucano, denunciado por corrupção e obstrução de Justiça. Dos sete deputados do PSDB de Minas, só Eduardo Barbosa defende o desembarque.

Outras alas do partido, porém, descartam esse entendimento. “Todos têm muito respeito [por Aécio]. Você ser solidário com um amigo é uma coisa. Sacrificar o partido é outra. Seria incoerente continuar no governo”, afirmou o deputado João Gualberto (BA), um dos primeiros a apresentar o pedido de impeachment de Temer, assim que foram divulgadas as gravações da JBS.

Entre os que são contrários a um rompimento, estão os que entendem que o PSDB ficaria sozinho. “Seria um erro grave nesse momento, o partido se isolaria”, disse Marcus Pestana (MG), um dos mais próximos de Aécio.

Já os que querem a saída, apontam prejuízo à imagem do partido. “O PSDB foi atingido fortemente por essas questões recentes. Estamos em débito com a sociedade e profundamente envergonhados. O primeiro passo que devemos tomar é deixar o governo para sinalizar à sociedade que o nosso apoio às mudanças não está vinculada a cargos”, diz Eduardo Cury (SP).

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