Lava Jato: PF faz operação em 3 estados e investiga contratos da Petrobras

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A Polícia Federal cumpre 25 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro (22), São Paulo (1) e Sergipe (2) nesta quarta-feira (23). A Operação Boeman é a 75ª fase da Lava Jato e investiga contratos firmados por empresas do Grupo Seadrill com a Petrobras.

As investigações contaram com informações obtidas por meio de acordo de delação premiada de “lobistas que atuavam junto a funcionários da Petrobras e agentes políticos com influência na estatal”, informou a PF de Curitiba.

De acordo com essas informações, teriam sido praticados os crimes de corrupção, evasão de divisas e lavagem de dinheiro durante o processo de contratação feito pela estatal para fornecimento de navios lançadores de linha (PLSV).

Esses contratos foram firmados por empresas do Grupo Seadrill – entre eles, alguns feitos em 2011 pela empresa Sapura – com a Petrobras para o fornecimento de três navios, e estariam vigentes até hoje, informou o Ministério Público Federal (MPF). Os contratos, que totalizaram R$ 2,7 bilhões, previam a construção e posterior uso em regime de afretamento por oito anos.

Os policiais federais ficaram cerca de uma hora em uma casa em um condomínio de luxo no Itanhangá, na zona oeste do Rio de Janeiro. O advogado do morador, identificado apenas como Maurício, chegou, mas não quis conversar com a equipe da CNN. Os agentes saíram levando malotes.

Investigações

As autoridades verificaram que um dos investigados obteve informações privilegiadas junto a setores técnicos da Petrobras para formular propostas vencedoras do processo de licitação.

A empresa Sapura no Brasil teria contratado intermediários e operadores financeiros que, em troca de 1,5% do valor dos contratos, viabilizavam a inclusão da companhia no processo e obtinham informações privilegiadas dentro da estatal.Policiais federais em endereço na Barra da Tijuca, um dos alvos da operação

Com base em extratos bancários de contas mantidas pelos investigados no exterior, o MPF informou que, após receberem seus pagamentos em contas mantidas em nome de offshores, os operadores financeiros transferiam parte dos valores a dois altos executivos da Sapura. Um deles vinculado à Sapura no Brasil e outro, à Sapura Energy, sediada na Malásia. Os investigados controlavam contas em ao menos seis países.

As autoridades identificaram ainda suspeitas de irregularidades em outros contratos da Petrobras, favorecendo os interesses do Grupo Seadrill.

Além disso, os agentes identificaram que autoridades holandesas também investigavam fatos que teriam origem nas ilegalidades cometidas para o fornecimento dos navios.

As companhias estrangeiras envolvidas, ao vencerem a licitação, subcontratavam uma empresa da Holanda para executar o serviço – representada por um dos empresários brasileiros investigados.

A ação de hoje é encabeçada pela Polícia Federal de Curitiba.

Nota da Petrobras

Em nota, a Petrobras disse que é reconhecida pelo MPF e pelo Supremo Tribunal Federal (STF) como “vítima dos crimes desvendados” e que colabora com as investigações desde 2014. Veja a íntegra do comunicado abaixo:

A Petrobras trabalha em estreita colaboração com as autoridades que conduzem a Operação Lava Jato. A companhia é reconhecida pelo próprio Ministério Público Federal e pelo Supremo Tribunal como vítima dos crimes desvendados.

A Petrobras vem colaborando com as investigações desde 2014, e atua como coautora do Ministério Público Federal e da União em 18 ações de improbidade administrativa em andamento, além de ser assistente de acusação em 71 ações penais.

Cabe salientar que a Petrobras já recebeu mais de R$ 4,6 bilhões, a título de ressarcimento, incluindo valores que foram repatriados da Suíça por autoridades públicas brasileiras.

CNN Brasil

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