Henrique Alves foi preso também por suspeita de fraudes no Fundo de Investimento do FI-FGTS da Caixa

Os ex-deputados Henrique Eduardo Alves e Eduardo Cunha foram alvos de dois mandados de prisão cada um, nesta terça-feira. Um dos pedidos foi feito pela Justiça Federal do Rio Grande do Norte, que investiga esquema de desvios de recursos e pagamento de propinas nas obras da Arena das Dunas, em Natal, segundo informações de O Globo.

O outro foi expedido pela Justiça Federal do Distrito Federal, que apura fraudes no Fundo de Investimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FI-FGTS). Os investigadores do DF descobriram que uma conta na Suíça, em nome de Henrique Alves, foi utilizada por Eduardo Cunha para movimentar propina.

O ex-deputado Henrique Eduardo Alves é investigado em dois inquéritos abertos a partir das informações da operação Lava-Jato. Um deles foi enviado à Justiça Federal do Rio Grande do Norte em outubro do ano passado, pelo ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF). Nesse inquérito, alem de Alves, são investigados o ex-deputado Eduardo Cunha e o empresário Leo Pinheiro, ex-presidente da construtora OAS.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), conversas interceptadas no celular do empresário Léo Pinheiro, ex-presidente da construtora OAS, mostram Cunha e o empresário falando sobre votações de interesse da empreiteira na Câmara. Em seguida, o parlamentar cobra doações oficiais da OAS para a campanha de Henrique Alves ao governo do Rio Grande do Norte, em 2014.

Um outro inquérito, na Justiça Federal do Distrito Federal, investiga desvios do Fundo de Investimento (FI) do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), administrado pela Caixa Econômica Federal. Eduardo Cunha é acusado de comandar um esquema de cobrança de propina em obras financiadas com recursos do FGTS. Pela denúncia, ele exigia 1% do valor de cada contrato e Henrique Eduardo Alves também era destinatário de propinas do esquema. Ambos seriam os responsáveis pela indicação de Fábio Cleto a uma das vice-presidência da Caixa.

A força-tarefa do DF também investiga a existência de uma conta na Suíça, em nome de Henrique Alves, na qual foram encontrados quase US$ 833 mil. Segundo a Procuradoria-Geral da República, tratava-se de propina paga pela empreiteira Carioca Engenharia com o objetivo de liberar recursos do Fundo de Investimentos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS), administrado pela Caixa Econômica Federal. O dinheiro serviria para o financiamento de obras do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro.

Henrique Alves, no entanto, dizia desconhecer a origem do dinheiro. Em defesa apresentada à Justiça Federal de Brasília, Alves reconheceu que usou um escritório de advocacia uruguaio para abrir uma conta na Suíça em 2008. A finalidade da operação seria proteger o dinheiro do espólio de seus pais, já que ele passava por um divórcio. O ex-deputado admitiu também que era formalmente o beneficiário da conta, mas argumentou que, por motivos burocráticos, não conseguiu movimentá-la e preferiu deixá-la inativa. Assim, alegou que os US$ 832.975,98 depositados na conta foram movimentados por terceiros, sem seu conhecimento.

Os valores foram depositados em três datas diferentes: 5 de outubro, 18 de novembro e 8 de dezembro de 2011. Com base em informações enviadas pelas autoridades da Suíça, os investigadores concluíram que Alves emprestou a conta para que Eduardo Cunha movimentasse recursos de propina.

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