Filho de juiz e advogado do RN acusados de propinas compraram imóvel juntos

Acusado de integrar junto com seu pai – o juiz José Lira Dantas, que atuou na 1.ª Vara Cível da Comarca de Ceará-Mirim – esquema de propinas para a concessão de liminares no Rio Grande do Norte, o advogado José Lira Dantas Júnior comprou com o advogado Ivan Holanda Pereira, também denunciado no caso, um imóvel no município potiguar de Macau, na região metropolitana de Natal.

José Lira Dantas foi condenado a perder o cargo e receber aposentadoria proporcional pelo Conselho Nacional de Justiça na sessão desta terça-feira, 29.

O juiz e seu filho são acusados de integrar esquema no qual um corretor cooptava funcionários públicos para a oportunidade de fazer empréstimos consignados além dos limites aos quais teriam direito e indicava o advogado para tocar as ações.

Segundo a investigação, os autores dos processos eram informados pelo grupo de que era necessário pagar propinas para obter pareceres favoráveis no Judiciário.

De acordo com o relator do caso no CNJ, conselheiro Gustavo Alkmim, as decisões judiciais chegaram a custar R$ 1,8 mil e foram encontrados R$ 43 mil na conta do juiz ‘vindos de depósitos em espécie, não identificados, em datas próximas às das decisões’. As informações são de Luiz Vassallo, O Estado de São Paulo.

O advogado supostamente responsável por pagar propinas, entre 2007 e 2008, ao magistrado para a obtenção de liminares em favor de seus clientes é Ivan Holanda Pereira, segundo o Ministério Público Estadual.

Busca e apreensão no escritório de advocacia do filho do juiz, acusado de ser ‘uma peça importante no planejamento das atividades do grupo criminoso’, encontrou uma escritura de cartório em que seu escritório e Holanda aparecem como compradores de um imóvel rural na cidade de Macau, no Rio Grande do Norte.

Segundo o Ministério Público Estadual do Rio Grande do Norte, a busca e apreensão realizada no escritório de José Lira Júnior ‘confirmou o vínculo estreito que há entre Ivan Holanda Pereira e o filho do magistrado afastado’.

“Neste local, foram apreendidos documentos que atestam a existência de interesses econômicos comuns entre os dois denunciados, que vão além da sociedade não aparente no escritório Bezerra, Dantas & Lira Advogados”, sustentam os promotores.

COM A PALAVRA, O TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO RIO GRANDE DO NORTE

A reportagem entrou em contato com a Corte e pediu esclarecimentos sobre o magistrado. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, JOSÉ DANTAS LIRA

A reportagem entrou em contato com o advogado de defesa do magistrado, Eduardo Nobre. O espaço está aberto para sua manifestação.

COM A PALAVRA, JOSÉ DANTAS LIRA JÚNIOR

A reportagem entrou em contato com o escritório de advocacia Bezerra, Dantas e Lira, mas não foi respondida. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, IVAN HOLANDA

A reportagem não localizou o advogado. O espaço está aberto para manifestação.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

error: Content is protected !!
%d blogueiros gostam disto: