Edison Lobão cobrou propina de paciente que estava em UTI

 Lobão

O atual presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado e ex-ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA), teria cobrado propina de um diretor da Odebrecht que estava internado em estado grave na UTI, segundo reportagem da revista “Época”. Em depoimento de delação premiada que se encontra sob sigilo, o ex-diretor de energia da empreiteira, Henrique Valladares, contou que estava internado no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, quando recebeu uma visita “de cortesia” do então ministro. “Época” teve acesso ao depoimento sigiloso.

A propina seria referente às obras da usina de Belo Monte, no Pará. Segundo Valladares, por ordem do presidente da empreiteira, Marcelo Odebrecht, os repasses de vantagens ilícitas ao PMDB estavam suspensos porque a empresa considerava as cobranças excessivas.

“Durante considerável período de tempo, a Odebrecht era demandada a fazer pagamentos, mas não os fazia. Que, a bem de ilustrar as cobranças que recebia de Edison Lobão, o declarante relata que, em meados de 2012, quando estava internado no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, em quadro clínico bastante delicado, buscando reunir condições para realizar viagem aos Estados Unidos em ‘UTI no ar’, recebeu ‘visita de cortesia’ de Edison Lobão, que, a par de tratar de outros assuntos, não se furtou de reiterar o pedido para que a Odebrecht passasse a realizar pagamentos de propina referentes a Belo Monte, sob o argumento de que as demais empresas já o vinham fazendo há tempos”, diz trecho da delação de Valladares reproduzido pela revista “Época”.
Ainda segundo o depoimento, o então diretor disse ao então ministro que a posição da Odebrecht “se mantinha a mesma”, mas Lobão insistiu que o doente lhe indicasse outra pessoa para tratar sobre a propina durante a viagem dele aos Estados Unidos. Valladares, então, disse que Ailton Reis, outro executivo da empresa, cuidaria do assunto.

Dilma

Ainda de acordo com o depoimento sigiloso de Valladares a que “Época” teve acesso, quando a Odebrecht assinou o contrato para as obras da usina de Belo Monte, Edison Lobão disse à empreiteira que 1% do valor da obra deveria ser repassado para o PT e o PMDB.

Ao relatar a Marcelo Odebrecht o pedido de propina, o presidente da empreiteira teria reagido com indignação. Valladares relata que o empresário queria “ouvir da boca” da então presidente Dilma Rousseff (PT) que a cobrança tinha fundamento.

“Quanto a esse pagamento, fale que eu quero que a própria Dilma me diga pessoalmente que ele é devido e me oriente sobre o interlocutor para o qual fazer esse pagamento”, teria respondido Marcelo, de acordo com o depoimento de Valladares. O diretor contou à Polícia Federal que transmitiu o recado a Lobão, mas ouviu do ministro que “seria impossível aquilo acontecer”. “Então, não haveria pagamento algum por parte da Odebrecht”, encerrou a conversa.

Procurado por “Época”, o advogado de Lobão, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse à revista que se trata de “mais uma das acusações baseadas única e exclusivamente na palavra do delator”. “Eu acho que, cada vez mais, está evidenciado que a palavra do delator desacompanhada de prova não vale absolutamente nada”, disse Kakay. O advogado afirmou que Lobão “nega peremptoriamente” as acusações de recebimento de propina, mas ressaltou que não vai “bater boca com delator porque está-se comprovando nos processos do Supremo que a palavra (isoladamente) não tem valor jurídico”.

Defesa

Um dos 77 delatores da Odebrecht, o patriarca da empreiteira, Emílio, defendeu nesta terça-feira (24), em palestra para executivos do grupo, os acordos de leniência firmados pelas empresas.

Com informações de O Tempo.

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