DEM busca o renascimento

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A eleição de Rodrigo Maia (RJ) para a presidência da Câmara dos Deputados, por duas vezes consecutivas, e sua atuação na votação das duas denúncias contra o presidente Michel Temer (PMDB) fizeram o DEM voltar aos holofotes políticos. Tanto que o partido acredita que pode retomar, já no ano que vem, o sucesso de quando era PFL e chegou a ter a maior bancada de deputados federais, com 105 representantes, seis governadores e 20 senadores.

Para recuperar o desempenho de outrora, o DEM age em duas frentes: tenta viabilizar entre seus quadros políticos que possam vencer as eleições no Executivo e busca a filiação de novos atores, sejam eles políticos ou não, para disputar cadeiras no Congresso Nacional e aumentar sua representatividade.

Na primeira estratégia, o partido tenta vencer as eleições para governador em três Estados onde avalia possuir nomes fortes para isso. Em Pernambuco, pretende disputar o Palácio do Campo das Princesas com o atual ministro da Educação, Mendonça Filho. Durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff, o então deputado federal foi um de seus articuladores. Com a ascensão de Temer, ganhou o Ministério da Educação. Sua gestão na pasta é marcada pela reforma no ensino médio, modificações no Enem e mudanças no financiamento estudantil.

Na Bahia, o nome “natural” é do prefeito de Salvador, Antônio Carlos Magalhães Neto, ou simplesmente ACM Neto. Bem-avaliado e no segundo mandato como prefeito da capital baiana, o democrata é nome certo na disputa. Sua candidatura vai colocar DEM e PT frente a frente, já que ACM Neto vai enfrentar o governador Rui Costa (PT), que deve tentar a reeleição.

No Rio de Janeiro, o DEM quer aproveitar o legado de caos administrativo das gestões peemedebistas de Sérgio Cabral (ex-governador condenado pela Lava Jato) e Luiz Fernando Pezão. No Estado, a legenda se dá ao luxo de ter dois candidatos: o próprio presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e seu pai, o vereador da capital fluminense Cesar Maia. O deputado federal resiste a concorrer ao Palácio Guanabara, o que pode levar seu pai a concorrer. Cesar já foi prefeito da capital carioca por três vezes.

No plano nacional, o partido pode tentar uma candidatura própria, com o senador Ronaldo Caiado (GO), que já declarou várias vezes a disposição em se candidatar. No entanto, Caiado pode até tentar o governo de Goiás caso o DEM consiga uma filiar o apresentador da Rede Globo Luciano Huck para disputar o Planalto. O nome do global é vinculado a uma possível candidatura também pelo PPS.

Huck, no entanto, descarta ser candidato, pelo menos por enquanto. Diz está conversando com partidos para conhecer o cenário eleitoral.

Trajetória

Fundação. Em 1985, em meio às articulações no Congresso para a eleição indireta, dissidentes do PDS deixaram a sigla para fundar o Partido da Frente Liberal (PFL). A sigla nasceu com três governadores, dez senadores e 60 deputados federais.

Nomes. A legenda reuniu nomes como Antônio Carlos Magalhães, seu filho Luís Eduardo Magalhães e ACM Neto, atual prefeito de Salvador, além do senador Marco Maciel (PE) e de Jorge Bornhausen (SC).

Mudança. Com o objetivo de se fortalecer para a disputa eleitoral, o DEM estuda alterar novamente o nome e articula uma revisão do estatuto para atrair parlamentares. Uma possibilidade é que a sigla venha a se chamar Mude ou Frente.

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