Senadores querem saída de Temer da Presidência e realização de eleições

O Plenário do Senado foi movimentado nesta quinta-feira (18) pelos sucessivos discursos de parlamentares que exigiram a renúncia do presidente da República, Michel Temer, e a sua substituição através de eleições diretas. Os pronunciamentos substituíram a ordem do dia, que foi cancelada.

Temer é acusado de avalizar pagamentos ao ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para que ele não firmasse delação premiada com a Polícia Federal. Os pagamentos foram feitos através de contatos entre emissários dos irmãos Joesley e Wesley Batista, do grupo empresarial JBS, e o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), aliado do presidente.

Vice-líder do governo no Senado, José Medeiros (PSD-MT) disse ter certeza que, uma vez comprovadas as denúncias contra ele, Temer procederá à renúncia.

– Se essas gravações forem do jeito que estão dizendo, eu creio que, pela estatura que tem, pela visão de país e da política que tem, o próprio presidente Michel Temer entregará o cargo. Se ele vir que não há governabilidade, não se apegará.

O senador Alvaro Dias (PV-PR) opinou que a saída da renúncia é “menos traumática” para o país devido à gravidade do caso. Se ela não ocorrer, avaliou ele, o Congresso Nacional não terá outra opção se não iniciar o processo de afastamento forçado do presidente.

– Não é agradável, mas é necessário reiterar um apelo ao presidente Temer: é hora da renúncia. Se não houver esse gesto, com o pedido de perdão ao povo, é irrecusável a instauração de um processo de impeachment, que é, sem dúvida, doloroso – disse Alvaro Dias.

A senadora Fátima Bezerra (PT-RN) afirmou que as denúncias evidenciam o cometimento de crime de responsabilidade pelo chefe do Executivo, o que deve ensejar a sua saída do cargo.

– Não é uma delação apenas de ouvir dizer, está amparada em um áudio. É de se perguntar: o Brasil está sendo governado por uma quadrilha? O presidente da República é um chefe de quadrilha? – indagou a senadora

Apoiadora do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, no ano passado, a senadora Ana Amélia (PP-RS) defendeu também a saída de Temer, assegurando que “a régua tem que ser a mesma”.

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