Rodrigo Maia suspende “venda” da folha de pagamento da Câmara

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), decidiu avocar para a sua decisão pessoal o processo administrativo interno que previa abertura de leilão público para vender o direito de gerir a folha de pagamento da Casa pelo banco que pagasse mais. As contas dos 24 mil funcionários de carreira, contratados temporariamente e terceirizados, são administradas pelo Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, que há oito anos pagaram uma “luva” para garantir a operação desta fatia do mercado de serviços bancários. A pressa de primeiro-secretário da Mesa Diretora da Câmara, Fernando Giacobo (PR-PR), provocou a decisão de Maia.

A proposta de vender o direito de operar essas contas tinha sido feita por Giacobo. Desde que tomou posse no cargo, em fevereiro, o parlamentar começou a oferecer a gestão das contas da Casa a bancos privados, à Caixa e ao próprio Banco do Brasil. Segundo o parlamentar, ele já tinha conseguido uma proposta de R$ 211 milhões de uma grande instituição financeira privada, mas achou pouco. Esperava arrecadar R$ 250 milhões. As informações são do Congresso Em Foco.

Há cerca de oito anos o BB e a Caixa pagaram, respectivamente, R$ 170 milhões e R$ 35 milhões para gerir as mais de três mil contas dos servidores da ativa, de outros três mil aposentados e dos 18 mil secretários parlamentares – estes, contratados pelos deputados principalmente em seus respectivos estados. Segundo fontes da Câmara, o BB e a Caixa topam pagar R$ 200 milhões para continuar gerindo as contas. Os contratos dos dois bancos públicos foram prorrogados e precisam ser renovados.

Segundo Giacobo, a ideia seria arrecadar esse dinheiro dos bancos e destiná-lo ao Orçamento Geral da União com a destinação específica de financiar a compra de material para a segurança pública dos estados, como carros, equipamentos eletrônicos e armamento. Giacoco estava muito animado com as negociações com os bancos até o processo ser suspenso por Maia.

Os bancos, inclusive Caixa e BB, estão de olho no mercado garantido de 24 mil contas para empréstimos ou aplicações financeiras, inclusive dos deputados, em Brasília e nos estados. Ficando com os atuais bancos públicos ou não, os servidores poderão escolher por meio de qual instituição financeira quer receber os salários. Circular número 3.522, editada em janeiro de 2011 pelo Banco Central, proíbe que servidores da instituição pública sejam obrigados a manter seu dinheiro no banco que arrematar o serviço.

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