Presidente interino do PSDB pede que ministros do partido continuem em seus cargos

Como primeiro ato após assumir a presidência interina do PSDB, o senador Tasso Jeressati (CE) pediu aos ministros do partido que permaneçam em seus cargos até a divulgação das gravações envolvendo o presidente licenciado do partido, senador Aécio Neves (MG), e o presidente Michel Temer.

“Mantendo sua responsabilidade com o país, que enfrenta uma crise econômica sem precedentes, o PSDB pediu aos seus quatro ministros que permaneçam em seus respectivos cargos, enquanto o partido, assim como o Brasil, aguarda a divulgação do conteúdo das gravações dos executivos da JBS”, diz a nota assinada pelo senador.

Poucos após o tucano divulgar a nota, o conteúdo dos áudios foi liberado. As informações são de O Globo.

Ao menos dois ministros, Bruno Araújo (Cidades) e Aloysio Nunes (Relações Exteriores), estariam cotados para deixar seus cargos após O GLOBO revelar que Michel Temer foi gravado pelo dono da JBS dando aval para a compra do silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha, que está preso. Os outros ministros do partido são Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo) e Luislinda Valois (Direitos Humanos).

O líder do PSDB no Senado, Paulo Bauer (SC), minimizou as denúncias contra Temer e disse que a renúncia é uma decisão de “foro íntimo”, sobre a qual não cabe ao partido opinar.

– Se cada vez que a gente ouvisse uma notícia tivesse que haver uma renúncia…Você acha assim, outro acha ali, não sei o que o Temer acha. O presidente já deu a manifestação dele dizendo que vai permanecer no cargo e dar as explicações. Nem ele conheceu ainda o teor completo da gravação. A questão da renúncia é de foro íntimo, é muito pessoal, não dá para fazer juízo a respeito de decisão pessoal. E acredito que ele conhece exatamente os fatos que foram apontados pela Justiça e deve ter segurança pessoal em relação ao que de fato aconteceu. Só ele tem conhecimento pleno, ele teve a conversa com o empresário e deve saber o que foi dito e o que não foi dito – afirmou.

Bauer reforçou que os ministros permanecem no governo e que o PSDB não tomará “nenhuma providência” até conversarem com Michel Temer. Está prevista para esta noite uma reunião do presidente com Tasso Jereissati.

– Nossos ministros continuam trabalhando e não vamos tomar nenhuma providência com relação à permanência deles no governo ou não antes de termos uma conversa com o próprio presidente Michel Temer, que ainda vai acontecer no dia de hoje, comandada por Tasso – pontuou.

O líder afirmou que não há prazo para a licença de Aécio Neves do comando do partido e que seu afastamento deve durar o necessário para que ele faça sua defesa. Ele explicou que Tasso foi escolhido para ocupar o cargo interinamente após um acordo com lideranças do PSDB e com o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), que havia sido indicado pela bancada na Câmara para a vaga.

– O presidente do PSDB pediu licença do seu mandato para se dedicar à defesa que precisa fazer em relação às acusações. Por força do estatuto do PSDB, a partir de hoje assume o comando nessa fase interina o senador Tasso Jereissati. Não tem prazo determinado para a licença, mas com certeza ela será pelo tempo suficiente para que Aécio possa cuidar da questão que está posta no Judiciário. Não há necessidade da convocação de novas eleições no partido – afirmou.

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