Eleição na França tem maior abstenção desde 2002

Os eleitores franceses escolhem neste domingo quem será o novo presidente da França entre o centrista Emmanuel Macron ou a líder da extrema-direita Marine Le Pen, num pleito que pode decidir o futuro da Europa. Com as urnas abertas desde as 8h no horário local (3h em Brasília), as primeiras indicações são de que o número de abstenções será grande, o que, segundo analistas, deve favorecer Le Pen.

De acordo com o Ministério do Interior do país, até as 17h no horário local (12h em Brasília), o comparecimento estava em 65,3%, o menor para este momento da votação desde 2002, quando ficou em 67,6%. Já em 2012 o número era de cerca de 72%, enquanto em 2007 atingiu 75,1%.

Os novos números confirmam a expectativa de uma alta abstenção na eleição francesa que já havia sido sinalizada pelo ministério mais cedo neste domingo. Ainda segundo o ministério, até o meio-dia local (7h em Brasília), o comparecimento chegou a 28% dos eleitores, também o menor desde o pleito de 2002, quando marcou 26% no meio do dia. Já nas últimas eleições presidenciais francesas, em 2012, ele ficou em 31% também a esta hora. As informações são de O Globo.

De acordo com pesquisa divulgada na última sexta-feira, o comparecimento nestas eleições presidenciais francesas deverá ficar em cerca de 75%. Nas eleições de 2002, 2007 e 2012, ele foi bem maior, com mais de 80% dos eleitores franceses indo às urnas.

O VOTO DOS CANDIDATOS

Macron, 39 anos e líder nas pequisas de intenção eleitorais, votou no resort litorâneo de Le Touquet, no Norte da França, tendo ao lado sua esposa, Brigitte Macron. Ex-socialista e ministro da Economia, ele concorre como candidato independente e era todo sorrisos quando deixou sua casa de veraneio na localidade brincando com seu cachorro antes de seguir para a seção eleitoral, para onde foi levado de carro por razões de segurança.

Já Le Pen, 48, colocou seu voto na urna a apenas cem quilômetros de distância do rival na pequena cidade de Henin-Beaumont, controlada por seu partido, a Frente Nacional. Ela conseguiu votar sem incidentes após ativistas feministas serem detidas algumas horas antes por pendurarem uma grande faixa contra a candidata em uma igreja no Norte da cidade.

Segundo analistas, uma alta abstenção na eleição pode favorecer a líder da extrema-direita, já que seus eleitores são mais compromissados com a agenda do partido e tendem a comparecer mais às urnas. Tanto que, até a metade do dia de votação, os maiores comparecimentos foram registrados em bastiões de Le Pen – Alpes, Provence, Aude e Haute-Marne – onde Macron conseguiu 18% dos votos no primeiro turno, contra 28% da candidata. Só na Provence, ele ficou em 35%.

A maioria dos que vão votar em Macron, por sua vez, diz que o fará justamente para evitar a eleição de Le Pen.

– Não concordo necessariamente com nenhum dos candidatos – disse a psicoterapeuta Denise Dulliand, que votou em Annecy, cidade na região montanhosa no Sudeste do país. – Mas queria fazer ouvir minha voz, ser capaz de dizer que vim, mesmo que não esteja de fato satisfeita com o que está acontecendo em nosso país, e que gostaria de ver menos estupidez, menos dinheiro e mais fraternidade.

Enquanto isso, na vizinha Bélgica, a rede de TV pública RTBF divulgou números de três pesquisas sobre a eleição francesa dando vantagem para Macron. De acordo com os levantamentos, que não puderam ser confirmados de forma independente, o centrista terá entre 62% e 64% dos votos.

Os núimeros são similares aos que Macron tinha nas últimas pesquisas de intenção de voto divulgadas na França antes das eleições, na sexta-feira, que davam a ele de 61,5% a 63% dos votos. De lá para cá a legislação eleitoral francesa proíbe a divulgação dos resultados de pesquisas eleitorais antes do fechamento das urnas neste domingo, às 20h também no horário local (15h em Brasília).

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