Dono da JBS grava Temer dando aval para compra de silêncio de Cunha

Michel Temer e Eduardo Cunha

Michel Temer foi gravado em um diálogo embaraçoso com Joesley Batista e seu irmão Wesley, donos da JBS, uma das maiores empresas de alimentos do mundo, no qual indicou o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para resolver um problema de uma holding que controla a companhia, a J&F. Loures atuaria numa operação para comprar o silêncio do deputado afastado Eduardo Cunha. As informações foram publicadas na noite desta quarta-feira (17) pelo jornal “O Globo”.

Conforme a reportagem, Loures foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil enviada por Joesley. Na gravação, o presidente ouviu do empresário que estava dando a Cunha e a Funaro uma mesada na prisão para ficarem calados. Com a informação, Temer incentivou: “Tem que manter isso, viu?”.

Joesley revelou também que pagou R$ 5 milhões para Eduardo Cunha após sua prisão, valor referente a um saldo de propina que o peemedebista tinha com ele. Segundo “O Globo”, ele disse ainda que devia R$ 20 milhões pela tramitação de lei sobre a desoneração tributária do setor de frango.

De acordo com “O Globo”, os donos da JBS “entraram apressados no Supremo Tribunal Federal (STF) e seguiram direto para o gabinete do ministro Edson Fachin” na tarde da última quarta-feira (10). Eles estavam acompanhados de mais cinco pessoas, todas da empresa.

“Foram lá para o ato final de uma bomba atômica que explodirá sobre o país – a delação premiada que fizeram, com poder de destruição igual ou maior que a da Odebrecht”, diz o jornal. “Diante de Fachin, a quem cabe homologar a delação, os sete presentes ao encontro confirmaram: tudo o que contaram à Procuradoria Geral da República (PGR) em abril foi por livre e espontânea vontade, sem coação”.

“Pelo que foi homologado por Fachin, os sete delatores não serão presos e nem usarão tornozeleiras eletrônicas. Será paga uma multa de R$ 225 milhões para livrá-los das operações Greenfield e Lava-Jato que investigam a JBS há dois anos”, completa a reportagem.

Nenhum dos citados ainda se manifestou sobre a denúncia.

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