Dono da JBS emprestou conta nos EUA para Vaccari movimentar dinheiro

Ex-tesoureiro do PT, preso pela Lava Jato desde abril de 2015, usou conta de empresa de Joesley Batista, a Okinawa Investments, para receber valores e fazer pagamentos junto com filho de Gushiken, o guru da comunicação de Lula

Ricardo Brandt, Luiz Vassallo, Julia Affonso e Fausto Macedo – O Estado de São Paulo

O empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, afirmou em sua delação premiada à força-tarefa da Operação Lava Jato que emprestou uma conta nos Estados Unidos para o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto movimentar dinheiro. O petista, preso em Curitiba, desde abril de 2015, controlava essas movimentações junto com um filho do ex-ministro Luiz Gushiken, morto em 2013, guru da comunicação do ex-presidente Lula.

“Um dia o João me abordou e disse ‘olha, volta e meio eu tenho pagamentos a receber no exterior e não tenho para onde mandar. Você não quer receber esse dinheiro e ficar com você e o dia que eu precisar você fazer pagamentos para mim”, contou Joesley, aos investigadores da Lava Jato. “Eu falei ‘uai João, como é que funciona esse negócio?’.”

Vaccari teria dito que o assunto era relacionado ao Guilherme Gushiken, filho do ex-ministro do governo Luiz Inácio Lula da Silva. O depoimento registrado no Termo 9, referente ao Anexo 14, trata sobre proposta feita em 2012. “João Vaccari perguntou se poderia lhe emprestar uma conta bancária no exterior onde tais valores fossem depositados.”

O dono da JBS disse que emprestou o número de uma conta bancária no exterior, do próprio grupo, em nome da empresa Okinawa Investments Ltd. “Onde volta e meia ele recebia pagamentos e volta e meia ele comandava pagamentos, ou no exterior, ou em dinheiro ou pedia doações oficiais e se fazia a compensação.”

Consta no anexo que “foi aberta uma planilha de conta corrente, que registrou ao longo do tempo, os depósitos”. “Os valores foram ressarcidos das seguinte formas: notas com conteúdo e datas ideologicamente falsos, em dinheiro, depósitos em contas no exterior ou em forma dissimulada de doações eleitorais.”

“Era coisa do Vaccari que eu não faço a menor ideia do que seja.”

O delator disse que todo procedimento ocorreu na conta da empresa Okinawa, cujos estratos serão “apresentados”.

Era uma empresa nova que foi usada onde caia o dinheiro deles, explicou Joesley. A conta é de Nova York e está declarada. Segundo Joesley, é preciso fazer uma pesquisa nessa conta pois há o registro de todos os valores pagos e recebidos por Vaccari. A movimentação, segundo o delator, ocorreu de 2012 a 2014.

O delator entregou documentos da conta e extratos que mostram em 2015 um valor de US$ 1,12 milhões.

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