Delação de marqueteiros do PT gera 22 pedidos ao Supremo

João Santana disse que Dilma Rousseff 'tinha conhecimento' de caixa dois em sua campanha

João Santana disse que Dilma Rousseff ‘tinha conhecimento’ de caixa dois em sua campanha

Por Letícia Casado – Folha de São Paulo

A delação premiada dos marqueteiros João Santana, Mônica Moura e André Santana, funcionário do casal, gerou 22 pedidos ao STF (Supremo Tribunal Federal).

Eles fecharam acordo com a Operação Lava Jato no começo deste ano.

Não há até o momento informação sobre o que são esses pedidos. Podem ser para abertura de inquérito ou remessa para outra instância, por exemplo.

A informação consta da decisão do ministro Edson Fachin de retirar o sigilo do material.

O documento foi assinado na quarta (10), mas se tornou público nesta quinta (11). A colaboração foi homologada em 4 de abril.

Fachin remeteu o acordo à PGR (Procuradoria-Geral da República) para dar ciência sobre a determinação de abertura de contas judiciais.

Isso indica que eles deverão fazer algum depósito em juízo, como, por exemplo, o pagamento de multa. Não há, no entanto, mais detalhes no documento. Geralmente, os acordos de delação incluem algum tipo de compensação aos cofres públicos relativo às verbas desviadas.

Monica Moura e João Santana foram presos em fevereiro de 2016, na 23ª fase da Operação Lava Jato, suspeitos de receber da Odebrecht e do lobista Zwi Skornicki dinheiro desviado da Petrobras.

Santana, que foi responsável pelas campanhas presidenciais de Lula (2006) e Dilma Rousseff (2010 e 2014), estava na República Dominicana, onde trabalhava para reeleição do presidente Danilo Medina.

Depois de cinco meses, o juiz Sergio Moro, responsável pela Lava Jato na primeira instância, autorizou que o casal deixasse a sede da Superintendência da Polícia Federal no Paraná.

JUSTIÇA ELEITORAL

Santana afirmou ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que o presidente Michel Temer também se beneficiou do caixa dois repassado à campanha presidencial de 2014.

Para ele, o peemedebista, candidato a vice de Dilma Rousseff (PT), “gerou prova” contra si mesmo ao participar de gravações de propaganda política.

Segundo Santana, Temer atuou nas propagandas porque “encheu o saco” e pediu “sistematicamente” isso.

Ele disse ainda que decidiu diminuir as aparições de Temer em peças publicitárias da campanha de 2014 ao constatar prejuízo entre eleitores porque o presidente estava associado ao satanismo.

Santana e Mônica Moura disseram que a ex-presidente Dilma Rousseff tinha conhecimento de caixa dois na campanha, apesar de não terem tratado do assunto com essas palavras.

A Folha teve acesso aos depoimentos, ainda quando estava sob sigilo.

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