Crise ameaça travar reformas e alimentar incertezas no mercado

BRASILIA, DF, BRASIL, 11-04-2017, 09h00: O presidente e o relator da Comissão Especial da Reforma da Previdência, deputados Carlos Marun (PMDB-MS) e Arthur Maia (PPS-BA) durante coletiva de imprensa após reunião, no Palácio do Planalto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)

Parlamentares da base aliada do governo e integrantes da equipe econômica avaliam que as reformas do presidente Michel Temer entram em estado de letargia até que eles tenham a dimensão exata do estrago provocado pelas delações dos executivos da JBS que atingem o presidente da República.

Isso porque está em jogo a própria sobrevivência do governo. Um auxiliar de Temer com amplo trânsito no Congresso considera que esse clima de incerteza pode durar semanas, atrasando bastante o ritmo de discussão das reformas trabalhista e previdenciária, por exemplo.

No calendário de Temer, as reformas passariam ainda no primeiro semestre. Agora, com as acusações da JBS, esse cronograma vai atrasar. As informações são da Folha de São Paulo.

A situação das reformas ficou complicada porque, além do presidente Temer, as acusações dos executivos do frigorífico JBS também envolvem o senador Aécio Neves (PSDB-MG), um dos líderes do principal partido que apoia as reformas.

A incerteza também tomou conta de integrantes da equipe econômica que dialogam com o Congresso. Para eles, as discussões, que vinham em um ritmo acelerado, foram “por água abaixo”.

Esse grupo diz que, se antes a batalha era conquistar votos explicando para deputados e senadores os efeitos das reformas, agora o foco é a auto-defesa.

Outros técnicos do governo são mais pessimistas e consideram que as reformas “subiram no telhado”. Ou seja, correm o risco de não saírem do papel.

CONGRESSO

Até a noite desta quarta-feira (18), os aliados do presidente Michel Temer no Congresso ainda não contavam com o apoio dos 308 deputados necessários para aprovação da reforma da Previdência, que exige quórum maior por envolver mudanças na Constituição.

Na Câmara, diversos deputados acreditam que a discussão das reformas pode virar assunto do passado.

“Se a resposta do presidente não for convincente, a pauta passa a ser a situação do governo”, disse o deputado Domingos Sávio (PSDB-MG). “Se houver resposta convincente, continuamos o trabalho para colocar o país no rumo certo. Se a resposta não for convivente, muda a pauta. Deixa de ser reforma pra ver qual o governo que nós temos”, disse.

Para o deputado Paulinho da Força (SD-SP), um aliado do governo que é crítico das reformas, as denúncias são graves e, depois delas, não há condição para que as reformas sejam discutidas no Congresso.

“A denúncia atinge diretamente o presidente da República”, afirmou o deputado. “A gente fica até meio de boca aberta, sem saber o que fazer.”

IMPACTO

O deputado Carlos Marun (PMDB-MS), que estava no Palácio do Planalto no momento da divulgação da notícia da gravação, disse que Temer está “bastante triste com a situação” e defendeu que a atual turbulência não afete a agenda econômica.

“Será uma grande pena, uma grande tragédia para o país se essa situação vier a atrapalhar a situação econômica”, afirmou Marun, presidente da comissão especial da reforma da Previdência na Câmara.

No entanto, integrantes da equipe econômica avaliam que a crise pode respingar no desempenho do governo que estava contando com a aprovação das reformas nos próximos meses, já com atrasos. A partir do segundo semestre, o debate político no Congresso fica centrado na campanha eleitoral de 2018, o que afeta a votação de assuntos polêmicos.

Neste cenário, haverá risco de impacto sobre as contas públicas, com reação negativa imediata do mercado financeiro. Isso porque a reforma da Previdência é considerada indispensável para que a dívida pública pare de crescer nos próximos anos. Sem isso, o país corre o risco de ter que aumentar impostos ou lidar com a volta da inflação alta.

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