Bumlai diz que tratou com Marcelo Odebrecht sobre Instituto Lula

O empresário José Carlos Bumlai, preso na Operação Lava Jato

Bumlai também disse na audiência desta terça que Marcelo avisou que um representante da Odebrecht iria procurá-lo posteriormente para tratar do assunto, e que isso de fato ocorreu.

Por Flávio Ferreira –  Folha de São Paulo

O pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disse em depoimento à Justiça que tratou com o empreiteiro Marcelo Odebrecht sobre a instalação do Instituto Lula em 2010, confirmando a declaração dada por Marcelo em acordo de delação premiada na Operação Lava Jato.

O testemunho foi dado ao juiz federal Sergio Moro, na manhã desta terça-feira (9), no âmbito da ação penal na qual o grupo Odebrecht é acusado de comprar um terreno na zona sul de São Paulo para instalação do instituto, em troca de favorecimento em contratos da Petrobras.

De acordo com Bumlai, Marisa Letícia Lula da Silva, mulher do ex-presidente, morta no ano passado, foi quem pediu a ele que ajudasse na implantação do instituto em 2010, por meio da busca de empresários que pudessem colaborar com o projeto.

Marisa, porém, pediu a Bumlai que Lula não fosse informado sobre a iniciativa, segundo o pecuarista.

Bumlai também disse na audiência desta terça que Marcelo avisou que um representante da Odebrecht iria procurá-lo posteriormente para tratar do assunto, e que isso de fato ocorreu.

O depoente afirmou ainda que chegou a visitar o terreno na zona sul, objeto da acusação, na companhia do advogado e compadre de Lula, Roberto Teixeira, mas depois abandonou o assunto.

Em seu relato de delação premiada sobre o assunto, no fim do ano passado, Marcelo disse que a Odebrecht aceitou realizar a compra da do terreno na zona sul no valor de R$ 10 milhões, mas descontou o montante de um crédito que estava reservado pela empresa ao PT.

Um negócio simulado para esconder a participação da Odebrecht nessa operação teria sido foi feito com a participação de Roberto Teixeira e da construtora DAG, que pertence a um amigo de Marcelo, relatou o executivo.

Porém, após essa transação, Lula teria decidido não usar o imóvel pois preferia uma local mais “popular” e próximo a uma estação de metrô, segundo o empreiteiro.

OUTRO LADO

Em nota, a defesa de Lula afirma que o depoimento de Bumlai mostra que “a ideia de construção de um memorial para abrigar o acervo presidencial do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não guarda qualquer relação com os oito contratos firmados entre a Odebrecht e a Petrobras, como diz a acusação do Ministério Público Federal”.

“Ao depor, o empresário José Carlos Bumlai deixou claro que Lula jamais solicitou qualquer intervenção sua objetivando a aquisição do imóvel da Rua Haberbeck Brandão 178, em São Paulo. Mais ainda, Bumlai informou que lhe foi pedido que não comentasse esse assunto com Lula”, de acordo com a nota.

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